A Logística Como Diferencial Competitivo das Empresas

A Logística Como Diferencial Competitivo das Empresas

A LOGÍSTICA COMO DIFERENCIAL COMPETITIVO DAS EMPRESAS 

Patrícia Monteiro*

  

RESUMO 

Este artigo apresenta um estudo sobre a importância da logística como diferencial competitivo das empresas e tem como objetivo mostrar que, com um planejamento voltado para o gerenciamento da cadeia de suprimentos é possível tornar-se uma organização forte e competitiva. O trabalho expõe, inicialmente, a relevância da elaboração de estratégias envolvendo os processos logísticos e aplicando ferramentas para redução de custos. Além disso, mostra a grande relevância da escolha dos modais de transporte, apontando-os como fator influenciador da competitividade e consequentemente fidelização do cliente, tendo em vista que a pontualidade na entrega é fundamental. Aborda também instrumentos que auxiliam no equilíbrio da demanda em relação à disponibilidade do produto e ao final é apresentada a tecnologia da informação como ferramenta de suporte a gestão logística, dando exemplos de softwares como o WMS e o Road Show que auxiliam na armazenagem e no transporte respectivamente e contribuem para que as empresas que os utiliza se mantenham a frente das demais.

Palavras-chaves: Estratégias. Logística. Competitividade. Armazenagem. Transporte. Tecnologia.   

1 INTRODUÇÃO   

Na antiguidade a logística representava estratégicas ações militares que compreendiam o transporte de alimentos e munição para as tropas que estavam em campo de batalha. Hoje, esta envolveo controle de processos gerenciais, desde o transporte para entrada de matéria prima na organização até a distribuição de produtos ao consumidor final.

Para a administração, a logística, de acordo com Ballou (1993, p. 17):

Estuda como a administração pode promover melhor nível de rentabilidade nos serviços de distribuição aos clientes e consumidores, através de planejamento, organização e controle efetivo para as atividades de movimentação e armazenagem que visa facilitar o fluxo de produtos.

A partir desse conceito, pode-se dizer resumidamente que logística compreende a armazenagem e o transporte de produtos, tendo em vista que estes dois sistemas abrangem vários processos.

2 GERENCIAMENTO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS 

Toda e qualquer empresa precisa coordenar seus setores para que haja uma interação entre eles e assim obtenha informação que proporcione aos gestores uma visão real da organização que administram.

Assim, a logística empresarial também está incluída nesse processo de integração, tendo em vista que está diretamente envolvida com os demais setores, pois como define Ballou (2006, p. 26), a logística empresarial “é um campo relativamente novo do estudo da gestão integrada, das áreas tradicionais das finanças, marketing e produção”. E quando ele coloca esses três setores organizacionais dentro dos processos logísticos, já está se direcionando para o Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos (GCS).

O GCS procura integrar estes setores de forma que a empresa obtenha vantagens competitivas, aprimorando seu desempenho com a elaboração de estratégias gerenciais, pois como o mercado está extremamente concorrido e seleto, apenas as organizações que possuem boas estratégias conseguem se manter em ascensão e a frente das concorrentes. Estas podem ser elaboradas em várias áreas da gestão empresarial, porém se desenvolvidas na logística empresarial, a organização obterá surpreendentes resultados no mercado no qual está inserida, por que como Ballou (2006) ressalta, o GCS analisa a coordenação, dentro das várias funções empresariais, os fluxos de produtos para que as organizações consigam produzir lucro e competitividade.

3 ESTRATÉGIAS E LOGÍSTICA: A GRANDE PARCERIA

Toda organização necessita de estratégias para permanecer no mercado, porém para isso, precisa saber a direção a seguir. Portanto, antes de todo e qualquer desenvolvimento de estratégias é necessário que as empresas tenham sua missão, visão e seus valores definidos.

Esses três “pilares” para a gestão estratégica mostram de forma resumida e objetiva para onde deve se direcionar todas as ações da organização. A missão, por exemplo, diz quem a empresa é e o que ela faz. Já a visão, é o complemento da missão e mostra aonde a empresa quer chegar. Tudo isso, mostra os valores que de acordo com Bertaglia (2006, p. 40), “representam os princípios que governam a operação dos negócios da organização”.

Assim, com a missão, visão e os valores descritos ficam fácil desenvolver estratégias que compreendam todo o processo logístico, podendo começar pelo eficaz armazenamento de matéria prima e produtos acabados e com a distribuição de produtos aos consumidores.

3.1 INFLUÊNCIA DOS MODAIS DE TRANSPORTE NA COMPETITIVIDADE DA EMPRESA

Todos os processos logísticos merecem atenção, porém o transporte se torna fator de grande destaca entre eles, visto que representa grande parte dos custos da empresa.

Com isso, as organizações devem realizar um bom planejamento para conseguir obter um eficiente e eficaz sistema de distribuição e transporte que possibilite a mesma levar seus produtos e disponibiliza-los a consumidores, em cidades as quais os mesmos não teriam como ir busca-los em lugares distantes. Assim, podem ser citadas como exemplo, as frutas sazonais que só são encontradas em alguns períodos do ano, porém como coloca Ballou (2006, p. 150):

O transporte rápido a preços razoáveis coloca esses perecíveis em mercados nos quais, sem ele, não haveria como estar presentes. Quem quiser comprar bananas da América do Sul em Nova York em janeiro, pleno inverno, compra.

Para que isso se concretize é preciso que seja desenvolvido, um programa para o planejamento do transporte, onde será escolhido o tipo de modal mais adequado e financeiramente viável.

Existem cinco tipos de modais de transporte, sendo estes o rodoviário, ferroviário, dutoviáro, aquaviário e aeroviário. Para a escolha de um deles é preciso avaliar a distância entre o produtor e a empresa consumidora, o volume e valor da carga que será transportada e a infraestrutura da região na qual está localizada a empresa, pois estes influenciam diretamente o lead time que é definido como o tempo gasto desde a realização do pedido até o recebimento da mercadoria pelo consumidor e o transit time que pode ser conceituado como o tempo de transporte da empresa produtora para a entrega ao consumidor.

Assim, é fácil identificar e concluir que quanto menor o tempo do lead time, menor o tempo de entrega do produto acabado ao consumidor final, o que pode significar ferramenta essencial para fidelização do cliente e consequentemente ganho de mercado e vantagens em relação aos concorrentes.

 3.2 ARMAZENAMENTO: EQUILÍBRIO DA DEMANDA EM RELAÇÃO À DISPONIBILIDADE DO PRODUTO

Existe, por parte das organizações, uma grande dificuldade em saber o que, quanto e quando estocar, visto que, manter o equilíbrio do estoque em relação a demanda estar cada vez mais difícil, devido a sazonalidade e aos ciclos de vida dos produtos que estão, com o passar do tempo e o avanço da tecnologia, menores.

Entendendo que o processo de armazenagem consiste na estocagem de matéria prima, produto em trânsito e produtos acabados, pode-se identificar a necessidade que as empresas têm de possuírem um espaço físico para realizar esse armazenamento e isso acarreta altos custos às empresas e os mesmos incidirão sobre o preço final do produto, o que provavelmente dificultará a competitividade da organização no mercado.

O processo de armazenagem, procura resolver esses possíveis problemas que as empresas tem com a estocagem e para isso existem técnicas que facilitam a organização dos estoques, de forma que as empresas possam atender a procura e ainda reduzir custos de manutenção na armazenagem.

            São várias as técnicas para controlar os estoques, sejam eles de produtos acabados e estoques de suprimento ou matéria prima. No primeiro caso, para esse controle, pode ser usado a Curva ABC e no segundo, o Just In Time.

            A Curva ABC é usada para controlar cada item do inventário, ou melhor, cada produto que deseja estocar. Através dela são identificados aqueles que merecem mais atenção e que deve ter em maior quantidade no estoque, pois o calculo é feito de acordo com o valor monetário dos produtos e a quantidade vendida em determinado período. Assim, a empresa tem uma visão melhor do que produzir ou comprar, reduzindo custos de armazenagem e transporte desnecessário.

            Já o Just In Time, de acordo com Souza e Marques (2001, p. 319), “nada mais é que um método racional que visa eliminar todo e qualquer tipo de desperdício dentro de uma indústria, buscando garantir, com isso, o incremento da competividade”. E de acordo com Bertaglia (2006, p. 365), o Just In Time é “basicamente […] um conjunto integrado de atividades cujo objetivo é fabricar altos volumes de produção usando um estoque mínimo de matéria prima […]”.

Muitas pessoas ainda conceituam o Just In Time como a prática do estoque zero, mas esse é um conceito destorcido, visto que o mesmo se apresenta como uma ferramenta, ou técnica, usada para eliminar o desperdício. E nesse caso, como o foco são as estratégias para a competitividade da empresa, seu uso esta focado na redução dos altos estoques e em produzir mais com menos matéria prima. Esta técnica visa melhorar a aplicação dos recursos da organização, o que proporciona grande vantagem competitiva, tendo em vista que, se os desperdícios são evitados e os recursos são bem utilizados, a empresa poderá fornecer aos clientes menores preços em relação a concorrência, além de conseguir maximização dos seus lucros.

            Assim, consegue-se equilibrar o estoque de acordo com a demanda que a empresa tem e adquirir vantagem competitiva no mercado.

 4 A TI NA LOGÍSTICA

A tecnologia da Informação é hoje, uma ferramenta que dar suporte as organizações e auxilia o gestor na tomada de decisão. Segundo Leite (1999) apud Bigaton e Escrivão Filho, (2004) “a evolução da TI além de acelerada, tem influenciado fortemente os modelos de administração e gerenciamento dos negócios, e provocado mudanças significativas no comportamento das pessoas, tanto na vida profissional, quanto na vida pessoal.”

Nos processos logísticos, a tecnologia da informação exerce forte influência e de acordo com OLMO (2001) apud Bigaton e Escrivão Filho (2004), “a TI deve também ser capaz de agilizar os processos logísticos dando não apenas maior velocidade, mas também fidelidade à informação. É visível o esforço das organizações em inovar os processos logísticos para melhoria dos resultados envolvendo o uso da TI”.

A mesma está presente nas atividades de armazenagem e transporte da empresa, ou seja, a TI é parte fundamental na logística e também colabora para a empresa adquiri competitividade dentro do mercado.

            Atualmente, as empresas utilizam softwares, como é o caso do WMS (Warehouse Management System), que é um sistema de gerenciamento de armazém que consiste em facilitar a organização do mesmo. O WMS surgiu com o avanço da tecnologia e este é um software que gerencia eficientemente as operações dos armazéns e proporciona nos centros de distribuição a boa organização do estoque e fácil localização de produtos nos mesmos.

            O WMS atua em diversas atividades, como o recebimento de produtos, picking, armazenagem, linha de produção e expedição.

 Nas atividades de picking, ou melhor, de separação e preparação de pedidos, já utiliza-se também o comando de voz dentro dos armazéns, onde um software converte o que foi transmitido através da voz em dados.

            De acordo com Bernardes (2009):

O uso de tecnologias de voz em processos de separação (picking) é cada vez maior no segmento brasileiro de logística. Diversas indústrias estão optando por implantar o sistema para facilitar e agilizar, dentro dos depósitos, a movimentação de produtos desde as posições de armazenagem até o setor de conferência e embalagem, ou diretamente para serem despachados nos caminhões. Os coletores de dados por comando de voz mostram sua eficiência ao reduzir em até 85% os erros em operações de logística, além de garantir 100% de rastreabilidade sobre as mercadorias que circulam no depósito.

            Então, com apenas um fone de ouvido os operadores recebem as instruções que são passadas pelo sistema que está em interação com o banco de dados da empresa, e assim os colaboradores não precisaram ler as informações e farão o serviço mais rapidamente.

            Portanto, se a empresa utilizar o WMS para gerenciar seus estoques, obterá vantagens como otimização do espaço para armazenagem e melhor controle de entrada e saída de produtos e utilizando também o comando de voz nas atividades de picking, otimizará os recursos disponíveis na empresa e assim reduzirá tempo e custos.

            Além de softwares que controlam a armazenagem, existem também programas que auxiliam o transporte de materiais. Um bom exemplo é o Road show que é tido como um sistema que facilita desde o planejamento até o controle de atividades referentes ao transporte de cargas como o acompanhamento das frotas de carros e, além disso, facilita a melhor administração de custos com fretes.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

              A logística, para muitas pessoas, é apenas uma área da gestão que envolve os processos de armazenagem e distribuição de produtos. Porém, esta pode se tornar ferramenta de grande competitividade para organizações que a utiliza de forma estratégica.

            Com a acirrada busca pela excelência empresarial que se apresenta no mercado atualmente, a organização que não possui boas estratégias ficará para trás. Assim pode se dizer que, a elaboração das mesmas no setor logístico provocará diferencial competitivo para a empresa.

            Primeiramente, a organização deve manter o foco na direção que deseja seguir, entender o processo de gerenciamento da cadeia de abastecimento para conseguir integrar os setores da empresa de forma a trabalharem junto.

Além disso, deve ser realizada avaliação para constatar a demanda que a organização possui e tentar equilibra-la de acordo com a disponibilidade dos produtos em estoque, por isso esta deve usar técnicas como o Just in time e a Curva ABC.

            E para montar uma eficaz estratégia logística, deve-se ainda, observar os modais de transporte e escolher o que mais se adequa as necessidades da empresa e que proporcione redução de custos e otimização do tempo.

            Com a globalização e o avanço da tecnologia não basta ter uma boa armazenagem e um bom sistema de transporte se não introduzir a TI dentro dos processos logísticos, pois está é um importante instrumento para obtenção de vantagem competitiva.

            Assim, este artigo apresenta fatores importantes para a elaboração de estratégias por parte das empresas que desejam vencer no mercado competitivo e fidelizar clientes através de ótimos processos logísticos.

REFERÊNCIAS

BALLOU, Ronald H. Logística Empresarial. São Paulo: Atlas, 1993.

BALLOU, Ronald H. Gerenciamento da cadeia de suprimento: logística empresarial. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006.

BERNARDES, Wagner. Tecnologia de voz ganha espaço no setor de logística: Sistema facilita o trabalho dos operadores ao dispensar a leitura de instruções. Revista Olhar Digital, n. 8, jul. 2009. Disponível em: <olhardigital.uol.com.br/produtos/digital_news/tecnologia-de-voz-ganha-espaco-no-setor-de-logistica>. Acesso em: 30 de mar. 2012.

BERTAGLIA, Paulo Roberto. Logística e gerenciamento da cadeia de abastecimento. São Paulo: Saraiva, 2006.

BIGATON, Ana Laura Wiethaus; ESCRIVÃO FILHO, Edmundo. Logística e a tecnologia da informação. SIMPOSIO DE EXCELENCIA DE GESTÃO E TECNOLOGIA, 9, 2004, Resende, (RJ).Anais … Resende, (RJ), 2004.

SOUZA, Alexandre Bimbachi Paula; MARQUES, Thaís Pereira. Administração da qualidade e da produtividade: abordagens do processo administrativo. São Paulo: Atlas, 2001.

*Acadêmica do curso de Bacharelado em Administração da Faculdade Católica Santa Teresinha – FCST. E-mail: patymonteiro@hotmail.com; Orientada pela Professora Esp. Virginia Lúcia Fonseca da Costa, Coordenadora e Professora do curso de Administração na Faculdade Católica Santa Teresinha-FCST.

Fonte: FCST

Postado por: Soluções Transportes | www.solucoestransportes.com.br

A Soluções Transportes está presente no mercado há 11 anos. O objetivo da Soluções Transportes é atender de forma satisfatória, os fornecedores de produtos alimentícios que são destinados à Merenda Escolar. Nosso trabalho consiste em distribuir estes produtos em todas as escolas no prazo estipulado em contrato. Atuamos com frota própria de veículos, o que garante rapidez, qualidade e eficiência na distribuição dos Produtos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *