Next Mobilidade passa operar as linhas prestadas pela Expresso SBC a partir desta sexta (15), confirma EMTU

Next Mobilidade passa operar as linhas prestadas pela Expresso SBC a partir desta sexta (15), confirma EMTU

Com isso, é realizada mais uma etapa da reformulação das linhas da EMTU no ABC Paulista; Itinerários e tarifas não mudam

ADAMO BAZANI

A empresa Next Mobilidade (ABC Sistema) passa a operar as linhas prestadas pela Expresso SBC, conhecida como Expressinho, entre as cidades de Diadema e São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, a partir desta sexta-feira, 15 de outubro de 2021.

A informação foi confirmada na tarde desta segunda-feira (11) pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), gerenciadora do sistema,  de forma oficial ao Diário do Transporte.

São cinco itinerários, contando linhas principais e atendimentos.

156 – Diadema (Eldorado)/ São Bernardo do Campo (Baeta Neves) – R$ 4,80

156BI1  – Diadema (Eldorado)/ São Bernardo do Campo (Baeta Neves) – R$ 4,80             

156VP1 – Diadema (Eldorado)/ São Bernardo do Campo (Paço Municipal) – R$ 4,80       

255 – Diadema (Jardim Padre Anchieta)/São Bernardo do Campo (Terminal Metropolitano de São Bernardo do Campo) – R$ 4,80

305 -Diadema (Jardim Padre Anchieta)/São Bernardo do Campo (Jardim do Lago) – R$ 4,80

Para o passageiro, é importante saber que não mudam itinerários, tarifas, bilhetagem eletrônica (sendo aceito o Cartão BOM) e a pintura dos ônibus, que continua sendo a padrão da EMTU (cor predominante azul escuro com detalhes vermelho, prata e branco), segundo a EMTU, por meio de nota.

Os itinerários e tabelas horárias vigentes, bem como tarifas aplicadas, seguirão normais sem alterações para os usuários. As viagens poderão ser consultadas pelo app da EMTU, disponível para iOS e Android.

A Next Mobilidade deve colocar ônibus mais novos nas linhas.

A Expresso SBC foi fundada em 1946 pelo imigrante italiano Leonardo Locosseli e ainda continuava com a família.

É mais uma etapa da reformulação dos transportes gerenciados pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) na região do ABC que contempla a assunção de todas as 97 linhas do sistema pela Next Mobilidade, uma SPE (Sociedade de Propósito Específico) criada no âmbito da renovação do contrato por mais 25 anos do corredor ABD (de ônibus e trólebus), que ainda inclui a construção de um sistema de ônibus rápidos em corredores (BRT – Bus Rapid Transit), com articulados elétricos entre as cidades de São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul e a zona Sudeste da capital paulista (terminais Vila Prudente e Sacomã, ambos com conexão com a linha 2-Verde do Metrô).– Veja mais abaixo os detalhes

O prazo previsto em contrato para a Next Mobilidade operar todas as 97 linhas remanescentes da extinta Área 5 da EMTU é março de 2022.

Até o momento, ocorreram as seguintes mudanças:

– 19 de março de 2021: governador João Doria publica em Diário Oficial os decretos 65.574 e 65.575, que prorrogaram até 2046 o contrato da Metra pela operação do Corredor ABD, por R$ 22,6 bilhões, com as condicionantes de modernizar o corredor, construir um BRT (Bus Rapid Transit) elétrico entre o ABC e a capital e assumir as 97 linhas remanescentes da EMTU, referentes à Área 5 que foi extinta pelos mesmos decretos.

– 15 de maio de 2021: passaram a ser operadas pelo grupo empresarial da Next Mobilidade as linhas que eram prestadas pela MobiBrasil Diadema, que saiu do sistema da EMTU

– 21 de agosto de 2021: formalizado pelo Governo do Estado de São Paulo o cadastro da ABC Sistema de Transporte (Next Mobilidade) para operação definitiva na região metropolitana de São Paulo, após publicação em Diário Oficial

– 25 de setembro de 2021: a Next Mobilidade passa operar as linhas do sistema EMTU que eram prestadas até então pela Trans-Bus Transportes Coletivos Ltda e TCPN (Transportes Coletivos Parque das Nações Ltda).

– 15 de outubro de 2021: A Next Mobilidade (ABC Sistema) passa a operar as linhas que eram servidas pela Expresso SBC (Expressinho) entre São Bernardo do Campo e Diadema, gerenciadas pela EMTU

REFORMULAÇÃO:

O contrato de 1997 com a Metra, que venceria em 2022, em sua segunda prorrogação (o prazo inicial era de 2017), foi estendido até 2046 por R$ 22,6 bilhões, mediante a contrapartidas de investimentos:

– Construção e operação do BRT-ABC: um sistema de ônibus articulados elétricos de 23 metros cada em corredor entre as cidades de São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul e São Paulo (terminais Tamanduateí e Sacomã). O sistema foi escolhido pela gestão do governador João Doria para substituir um outro modal também de  apenas de média capacidade, um monotrilho que comporia a linha 18-Bronze, que por muito tempo foi propagado por políticos do ABC como sendo um metrô de alta capacidade, o que de fato não seria. No entendimento do Governo do Estado, por ser apenas um meio de transporte de média capacidade, o monotrilho custaria caro e seria de difícil implantação por causa de dúvidas tecnológicas.

Pelos cálculos da gestão Doria, o monotrilho do ABC em valores atualizados em abril de 2021, custaria R$ 7,385 bilhões, estando R$ 3,712 bilhões a cargo dos cofres públicos. Somente com desapropriações, seriam gastos R$ 1,92 bilhão (em valores de 2014) em recursos públicos.

Já o BRT-ABC, ainda de acordo com Doria, custaria R$ 858,4 milhões (estimativa de maio de 2019) e sem nenhum dinheiro público.

– Modernização e qualificação do Corredor ABD de ônibus e trólebus: o sistema foi inaugurado entre 1986 e 1988 sob a gestão do Metrô de São Paulo e, passando posteriormente, para a EMTU, e empresas privadas em consórcio até a Metra assumir em 24 de maio de 1997, sendo a primeira concessão de transportes públicos do Estado de São Paulo nos moldes da lei 8666/93. Algumas estruturas são antigas, como paradas ainda da época na qual os passageiros embarcavam pela porta traseira dos veículos. Há ainda “gargalos viários” em trechos não completamente segregados. Mesmo assim, o nível de satisfação do passageiro, de acordo com o IQT (Índice de Qualidade do Transporte) se aproximava de 90% em 2019. O sistema tem atualmente 45 km, sendo 33 km ligando São Mateus (zona leste da capital paulista), os municípios de Santo André, Mauá (Terminal Sônia Maria), São Bernardo do Campo e Diadema, e Jabaquara (zona sul da capital paulista). Há também o braço entre Diadema e a região da Berrini (zona sul da capital paulista) de 12 km, cujos alguns trechos não passam de uma faixa à esquerda da via, em especial na zona sul da cidade de São Paulo, estreitas e sujeitas à invasão de carros e motos.

– Assunção das 97 linhas de ônibus gerenciadas pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) no ABC Paulista: consideradas linhas remanescentes da Área 5. A EMTU dividiu os 39 municípios de São Paulo em cinco áreas operacionais. A Área 5 englobava a ligação entre os municípios do ABC e da região até a capital paulista, com linhas cobrindo as cidades de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, além da Vila de Paranapiacaba, em Santo André. A Área 5 sempre foi o ponto fraco da EMTU na Grande São Paulo. Diferentemente das outras quatro áreas, nunca foi concluído um processo de licitação nas linhas intermunicipais do ABC. Foram seis tentativas desde 1996, sendo que em cinco delas, os próprios empresários da região esvaziaram a concorrência alegando altos custos operacionais e impactos de outros sistemas. Em uma destas tentativas, o grupo empresarial de Baltazar José de Sousa, que tinha empresas como EAOSA e Ribeirão Pires, conseguiu barrar a licitação com base em sua recuperação judicial pela Justiça de Manaus, uma das mais longas da história de transportes urbanos no Brasil se arrastando desde 2012. A EMTU conseguiu reverter a decisão da Justiça de Manaus, fez mais uma tentativa, mas foi fracassada também. O resultado é que a Área 5 da EMTU foi a que recebeu ao longo de sucessivos anos a pior avaliação dos passageiros em todo o Estado de São Paulo (a Metra, apesar de operar no ABC não integrava a área 5), com os ônibus mais velhos e menos acessíveis, linhas desatualizadas e o maior número de não cumprimento de partidas e itinerários. Pelo modelo elaborado pela gestão João Doria, a Área 5 é extinta. A ABC Sistema deve operar as 97 linhas, remodelar o sistema e renovar a frota. A assunção das linhas não deve ser uma tarefa fácil e empresários de outras companhias de ônibus reclamam. Uma ação judicial, movida por um advogado que já representou empresas de ônibus que atuaram no ABC Paulista, chegou a parar o procedimento de remodelação do sistema do ABC, mas a decisão foi derrubada. A empresa Tucuruvi também tenta na justiça impedir o procedimento, mas em primeira instância não foi atendida. Já pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo), um CNPJ de Picos, no Piauí, apontou supostas irregularidades e pediu à corte de contas para barrar a contratação, mas não foi atendido.

Fonte: Diário do Transporte

Publicado por Soluções Transportes

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